A MÁQUINA DE GUERRA DOS ESTADOS UNIDOS E ISRAEL PRECISA PARAR
por Victor Rodrigues
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| Escombros de escola no Irã atacada por EUA e Israel, vitimando mais de 150 crianças (Anadolu via Getty Images) |
No dia 28/02 de 2026, os Estados Unidos da América, em conjunto com o estado sionista de Israel, realizaram uma agressão ao território do Irã, assassinando seu líder supremo Ali Khamenei, seus familiares e membros do governo. O ataque também alvejou áreas civis, incluindo uma escola para meninas, resultando na morte de mais de 150 crianças.
Assim como em 2025, na guerra dos 12 dias, a agressão aconteceu em um período de negociações diplomáticas entre EUA e Irã. Como justificativa, EUA e Israel utilizaram de diversas desculpas repetidas há anos em seus massacres e bombardeios: um ataque “preventivo” para neutralizar uma possível ameaça, a “libertação” do povo de um regime ditatorial e o combate ao “terrorismo”. Benjamin Netanyahu, que desde os anos 90 utiliza o discurso de que seus alvos estão muito próximos de construir armamento nuclear para justificar seus crimes, citou novamente a questão.
Vale lembrar que Israel, amparado pelos Estados Unidos, se recusou a assinar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), impedindo que autoridades internacionais fiscalizem o território. Estima-se que o regime sionista possua cerca de 90 armas nucleares, enquanto ataca vizinhos que “ameaçam” a paz mundial por estarem “muito perto” de construir uma. Importante ressaltar também que os Estados Unidos, que usam o mesmo discurso, foram o único país a usar armas nucleares na história da humanidade.
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| Aiatolá Ali Khamenei, assassinado no ataque que iniciou a guerra (Getty Images) |
Após a agressão sofrida, o Irã respondeu prontamente com uma série de retaliações a Israel e às bases militares dos Estados Unidos em territórios vizinhos, além de embaixadas e estruturas estratégicas. O governo iraniano reafirmou seu direito de se defender e segue respondendo aos novos ataques. O novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá martirizado no início da guerra, ressaltou o desejo de ter boas relações com os países vizinhos, mas afirmou que continuará alvejando as bases militares dos invasores na região. “Eu recomendo que eles fechem essas bases o quanto antes, porque eles já devem ter percebido que a alegação dos Estados Unidos de estabelecer segurança e paz não passa de uma mentira”, disse o aiatolá.
O objetivo inicial dos EUA e Israel era uma operação de "decapitação", buscando instaurar terror e caos político no país ao assassinar suas lideranças para derrubar o governo. Porém a guerra causou o efeito contrário, unindo o Irã e ganhando forte apoio da população contra a invasão imperialista. O povo iraniano é atacado constantemente há décadas e sabe o que é se defender.
A nação persa vem demonstrando enorme capacidade de resistência através de sua avançada tecnologia de drones e mísseis, suas estruturas militares e políticas sólidas e organizadas e promete estender o conflito até quando for necessário. O presidente da República Islâmica do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que o país reafirma o compromisso com a paz na região e enumerou condições para o fim da guerra. “A única maneira de pôr fim a esta guerra — instigada pelo regime sionista e pelos EUA — é reconhecer os direitos legítimos do Irã, pagar reparações e oferecer firmes garantias internacionais contra futuras agressões”. O Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, também usou do mesmo discurso. “Esta guerra terminará quando tivermos certeza de que não se repetirá e que as reparações serão pagas. Vivenciamos isso no ano passado: Israel atacou, depois os Estados Unidos. Eles se reagruparam e nos atacaram novamente”, lembrou.
As consequências do conflito afetam a ordem geopolítica na região, mas também toda a estrutura global. Além da tensão gerada, o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do abastecimento de petróleo e gás natural do mundo, foi parcialmente fechado. Países não aliados dos EUA e Israel estão liberados para circular, mas seguradoras cancelaram apólices e aumentaram o preço dos seguros, inviabilizando o tráfego. O resultado tem sido a desestabilização dos mercados e uma alta nos preços dos combustíveis.
Os Estados Unidos têm feito pressão em diversas frentes para somar aliados na guerra. Além de fazer uso de suas bases militares na região, convocou países da Europa para oferecer apoio e ameaçou a OTAN em caso de negativa. Alguns países, como a Espanha, condenaram o conflito e a ação dos EUA, enquanto Inglaterra e França, pressionados, sinalizaram um suporte inicial. Porém, com a escalada do conflito, os convocados responderam negativamente e EUA e Israel estão cada vez mais isolados, recebendo apoio apenas de nações onde interferiram para eleger chefes de estado fantoches de seus planos.
Rússia e China, gigantes potências econômicas e militares com influência e parceiros na região, e alvos indiretos dos EUA, têm dado suporte diplomático, comercial e estratégico ao Irã com tecnologias de defesa e informação. Assim como os gigantes do oriente, demais países do BRICS manifestaram apoio ao parceiro de bloco, com exceção da Índia, que vem estreitando laços com os estadunidenses.
Países que contém grupos de resistência ao projeto imperialista e colonial de EUA e Israel, como o Hezbollah, Hamas e Houthis, também têm sido alvos de investidas e invasões. A guerra não é só contra o Irã e seu programa nuclear, muito menos para libertar povo algum de opressão. É um ataque a qualquer tipo de oposição aos interesses estadunidenses e israelenses e seus projetos de dominação.
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| Destruição no Líbano após sequência de ataques de Israel, vitimando quase 1000 pessoas em duas semanas (AFP/Getty Images) |
A DISPUTA PELA HEGEMONIA
Atualmente, o cenário de influência global e as relações geopolíticas e econômicas estão se redesenhando, caminhando para uma ordem multipolar. E o projeto imperialista dos Estados Unidos não tolera qualquer ameaça à sua hegemonia. A história nos mostra que qualquer país que diga “não” aos interesses yankees fatalmente será taxado de ditador ou terrorista e enfrentará constantes ataques militares, econômicos e políticos. A doutrina estadunidense não busca o diálogo. O método é a imposição da força, do caos e do terror.
A Revolução Iraniana, em 1979, derrubou o regime monárquico submisso ao ocidente e instaurou o modelo atual de República Islâmica. As bases da revolução defendem a independência, dignidade e soberania do país. O Irã é uma potência histórica, uma nação milenar com impressionante capacidade científica e tecnológica, riqueza cultural e estruturas muito sólidas, mesmo sofrendo severas sanções econômicas e enfrentando sucessivas guerras há mais de 40 anos. A resistência do país ao controle ocidental é um grande obstáculo para os interesses de Washington e Tel Aviv.
Para garantir a influência na região, os EUA vem apoiando e financiando o regime sionista e colonial de Israel desde seu reconhecimento forçado como estado. A dupla atua com a ambição de controlar a região, anexando territórios estratégicos por meio de invasões e limpezas étnicas e enfraquecendo militarmente, politicamente e economicamente adversários locais que não aceitem a rendição. Além do Irã como potência regional, países como Palestina, Jordânia, Iraque, Líbano, Líbia e Iêmen são alvos frequentes de invasões e golpes. Outros países que hoje são tidos como aliados, no passado já foram vítimas das intervenções imperialistas até se tornarem reféns e submissos ao projeto.
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| Palestinos entre os escombros de Gaza, vítima do projeto genocida de EUA e Israel (AP Photo-Abed Hajjar) |
A MÁQUINA DE GUERRA IMPERIALISTA
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| O Departamento de Defesa dos Estados Unidos agora se chama Departamento de Guerra |
“Os EUA são um país viciado em guerra. Ao longo de seus mais de 240 anos de história, estiveram em guerra durante todos, exceto 16 anos”. Essa afirmação foi feita em comunicado do Ministério da Defesa da China logo após o início do atual conflito.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América recentemente teve seu nome mudado para Departamento de Guerra. Isso não foi só um reconhecimento da principal atividade do país, mas também um recado para o mundo. O país é sustentado pela guerra. Precisa de um estado de guerra permanente para que possa se manter funcionando. Não só pelo mercado em si, uma vez que se beneficia diretamente da indústria bélica, mas por toda a dinâmica geopolítica que isso envolve. O império norte-americano possui atualmente mais de 800 bases militares ao redor do mundo.
Os EUA não são um país que negocia. Se precisam de recursos estratégicos, redes de abastecimento ou alguma estrutura regional, eles tomam à força. Sua máquina de guerra garante acesso ao que precisam de acordo com os seus termos. E a máquina vai além das invasões e bombardeios. O país tem um grande arsenal de golpes, com interferência em processos eleitorais, controle de mídia, influência cultural e manipulação econômica.
A maioria da mídia hegemônica nos países ocidentais é submissa aos interesses do imperialismo. A ideologia neoliberal e colonial que sustenta seu discurso é disseminada em todas as frentes, seja na maneira de contar ou omitir fatos na imprensa, seja nas narrativas criadas através do cinema e da cultura pop, seja no financiamento de influencers, coaches e líderes religiosos alinhados à sua doutrina. Isso passa a naturalizar o modo de agir imperialista no imaginário popular, chegando a ser colocado como modelo entre seus lacaios mais fiéis.
Hoje, os Estados Unidos dividem seu papel de influência global com Rússia, China e Irã e temem quando assistem gigantes como Brasil e Índia emergindo. O país vive da guerra, mas a guerra custa caro e desgasta. Com o tempo, nações que são reféns dos EUA e sua doutrina vêm encontrando alternativas e fechando acordos com outras potências, passando a ser protegidos pelos novos aliados. Aos poucos, os Estados Unidos vão começando a perder poder econômico, científico e tecnológico diante dos que optam por outras vias de desenvolvimento que não a guerra.
Para reduzir os danos, tem usado da guerra e da sabotagem para se manter competitivo. A estratégia se repete: o país ataca militarmente repetindo alguma justificativa sustentada pelas narrativas na mídia hegemônica, chantageia economicamente aplicando sanções e vetando acesso a recursos estratégicos e instaura o caos político, apoiando grupos opositores na região, buscando colocar no poder figuras submissas aos seus interesses.
PORQUE ISSO PRECISA PARAR
Primeiro, porque é desumano. As ditaduras militares ao redor de todo o globo apoiadas e financiadas pelos Estados Unidos da América são responsáveis pelas mais absurdas violações de direitos humanos que a humanidade já testemunhou. Os crimes de guerra cometidos por EUA e Israel são brutais e incontáveis. Utilizam armamento proibido, desrespeitam tratados e promovem massacres. Em seus ataques combinados na região, a dupla constantemente alveja escolas, universidades, museus, hospitais e regiões residenciais. A limpeza étnica do projeto sionista transformou Gaza em um grande campo de concentração, cercando sua população, controlando água e comida e dizimando gerações de palestinos, com o maior assassinato de mulheres e crianças da história. Começam suas guerras dizendo combater o terrorismo e a opressão, mas são eles que praticam o terror, financiam grupos violentos - incluindo neonazistas -, e oprimem nações de forma cruel.
Além disso, a América Latina é o próximo alvo da agenda. O presidente Trump já declarou que “de acordo com nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio dos Estados Unidos na América Latina nunca mais será questionado”. A intenção é aplicar uma versão da Doutrina Monroe para coibir a influência de outras potências na região.
Em reunião envolvendo 12 países da América Latina com governos da direita refém dos EUA, Trump declarou: “O coração do nosso acordo é o compromisso de usar força militar letal para destruir esses sinistros cartéis e redes terroristas. De uma vez por todas, vamos acabar com eles”. Também citou “influências malignas” de fora do Ocidente. A coalizão militar é chamada de “Escudo das Américas”. Brasil, México e Colômbia, importantes países da região que têm chefes de estado não submissos aos EUA, não foram convidados. Pela leitura atual, são considerados alvos junto com Cuba e Venezuela.
Os ataques a Venezuela e Cuba já estão em curso, entre operações militares e bloqueios econômicos, e o governo estadunidense promete intensificar as ações. Os EUA também já ameaçaram publicamente Colômbia e México e acusaram o Brasil de abrigar uma base chinesa. Atualmente, preparam interferências nos processos políticos dos países e utilizam figuras sob sua influência para enquadrar o crime organizado e o narcotráfico como terrorismo em busca de passagem livre para as intervenções.
O Brasil hoje é uma potência no cenário global e busca boas relações com o mundo inteiro. Quanto mais se fortalece, mais se torna alvo do projeto de dominação dos EUA. Já teve sua história manchada de sangue pela interferência estadunidense e não pode permitir que isso aconteça novamente. Tem total competência para tratar suas questões internas, resolver seus problemas e desfrutar de seus recursos e estruturas longe da sabotagem yankee.
A máquina de guerra dos Estados Unidos precisa parar, no continente que for. Os Estados Unidos não são a polícia do mundo como costumam fantasiar nos filmes e jogos de videogame. Pelo contrário, são os principais causadores da instabilidade geopolítica e adversários diretos de qualquer projeto de paz. É preciso, mais do que nunca, fortalecer a soberania das nações e garantir autonomia em suas decisões para resistir a esses ataques.


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