Prêmio Nobel da Paz em 2026 vai para Navi Pillay, sul-africana que enfrentou o apartheid e combateu genocídios

Navi Pillay, jurista sul-africana de ascendência indiana é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2026

por Victor Rodrigues

Foto: Divulgação / ONU

Navanethem ‘Navi’ Pillay, jurista sul-africana de 85 anos que lutou contra o apartheid, foi escolhida para receber o Prêmio Nobel da Paz 2026. O prêmio celebra sua trajetória de mais de 50 anos de defesa do direito internacional e de enfrentamento a genocídios e crimes de guerra.

Pillay é descendente da etnia tâmil, povo indiano com bastante presença na África do Sul. Nasceu em um bairro pobre de Durban e iniciou sua carreira lutando contra o apartheid, sistema de segregação racial que assolou o país.

Com o fim do apartheid, foi indicada para a Suprema Corte do país por Nelson Mandela e se tornou a primeira mulher não-branca no cargo. Também foi indicada para o Tribunal Penal Internacional para julgar o genocídio em Ruanda. Fez parte do tribunal por 8 anos, sendo presidente por 4, e foi responsável por formulações históricas na área do Direito Internacional.

A ganhadora do Nobel foi ainda Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2004 e 2018. O cargo representa a principal autoridade da ONU responsável por fiscalizar violações aos direitos fundamentais no mundo.

Recentemente, Pillay liderou a Comissão de Inquérito que investigou e denunciou em relatório o genocídio cometido pelo Estado de Israel contra o povo Palestino em Gaza.

Pillay foi a 21ª mulher entre 144 pessoas premiadas na história do Nobel. Em entrevista após o anúncio do prêmio, defendeu a nomeação de mulheres em cargos de liderança, inclusive na ONU.

"Estou preocupada com o fato de que, em nosso tempo, ainda não tenhamos alcançado a igualdade entre homens e mulheres. Não acabamos com a violência contra as mulheres. Apoio mulheres líderes em todo o mundo e sua iniciativa para que uma mulher seja nomeada secretária-geral das Nações Unidas", disse.

Foto: ONU / Rick Bajornas

A jurista também reforçou a importância do combate contínuo às práticas de genocídio, ao mesmo tempo que criticou os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Tribunal Penal Internacional de Haia. Defendeu ainda uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, retirando o poder de veto que, por muitas vezes, foi utilizado para permitir violações graves na história recente.

O presidente do comitê responsável pelo prêmio destacou a trajetória de Pillay e seus esforços para promover a paz e defender o Estado de Direito Internacional como meio de resolução de conflitos sem força ou violência. Honrando sua história, Navi dedicou o prêmio às pessoas sobreviventes de crimes internacionais.