Sociedade se mobiliza para combater mentiras e manipulações na luta por um debate de ideias justo e democrático
Tratamento desigual, censura arbitrária, restrições sem justificativa e vista grossa para fake news e campanhas de desinformação marcam processo eleitoral no Brasil
por Victor Rodrigues
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| Manifestantes protestam em frente ao escritório da Meta em São Paulo. Foto: Reprodução / Paulo Pinto - Agência Brasil |
Entre os muitos danos causados ao Brasil e à democracia desde a tomada do poder pela extrema-direita com o golpe de 2016, a manipulação das narrativas e as campanhas de mentira e desinformação estão entre os mais graves.
Com a ascensão das redes digitais como os principais meios de comunicação, esse grupo político tem crescido e não por coincidência. Capitaneado pela cúpula de Donald Trump, esse movimento tem interferido em diversos processos eleitorais e conta com participação direta de big techs como a Meta, agentes públicos corrompidos e estruturas complexas de milícias digitais. Essa manipulação sempre visa favorecer a imagem de candidatos alinhados com os interesses dos Estados Unidos, enquanto restringe e ataca adversários.
Nas eleições da América Latina nos últimos anos, há denúncias, investigações e relatórios apontando interferência nos processos de todos os países onde essa direita venceu. Declarações de Trump e seus aliados e até mesmo documentos oficiais da Casa Branca explicitam mais ainda a intervenção.
Mais recentemente, no Peru e na Colômbia, ambas vitórias foram conquistadas com uma margem bastante apertada e uma grande lista de suspeitas. Os discursos, campanhas e métodos coincidem.
Apontar esse problema não se trata de colocar em xeque o processo eleitoral, mas de defender o direito da população em ter acesso à informação de qualidade sobre as questões do país para poder, de forma justa e transparente, decidir seu futuro. É preciso questionar quem tem escolhido as regras e a quem elas beneficiam.
No Brasil, os ministros do STF André Mendonça e Kássio Nunes Marques, indicados por Bolsonaro e responsáveis pelos Tribunais Eleitorais, vêm cometendo uma série de abusos e irregularidades que favorecem a campanha de Flávio e restringem a campanha de Lula.
A velocidade em acatar pedidos e fazer valer decisões tem sido desigual, bem como a arbitrariedade em censurar determinados conteúdos e permitir outros. Soma-se a isso, evidências concretas de redes e ferramentas da Meta, como Instagram, WhatsApp e Facebook se comportando da mesma forma.
Perfis, postagens e canais de opositores a Flávio Bolsonaro vêm sendo censurados, restringidos e até mesmo excluídos sem aviso, ou com justificativas incompatíveis. Ao mesmo tempo, há limitações em conteúdo favorável a Lula e um alcance fora do comum em conteúdos favoráveis a Flávio, ainda que contenham informações falsas ou distorcidas.
Para enfrentar mais esse ataque, a sociedade tem se organizado em iniciativas que buscam garantir o acesso à informação de qualidade. Conteúdos censurados com frequência pela Meta e pelos ministros aliados de Bolsonaro têm sido reunidos em plataformas como o https://bolsomaster.site/, tudo organizado com fontes diversas e documentadas.
Plataformas responsáveis concentrando dados, comparando os históricos e avaliando as propostas de cada candidato também têm surgido, como o site https://obrasilemjogo.com.br/, por exemplo.
Campanhas coordenadas em redes sociais para promover o debate justo e democrático de ideias e incentivar a pesquisa consciente e a checagem de dados também têm sido massivas.
Além de estratégias de comunicação para combater a desinformação dentro das redes sociais, sites já renomados e comprometidos com a informação de qualidade como https://www.aosfatos.org/ e https://www.agencialupa.org/ têm desempenhado um importante papel.
A questão afeta também as mídias tradicionais. Após o espetáculo de mentiras por parte de Flávio Bolsonaro no debate da Bandeirantes, único confronto direto entre os candidatos até então, petições e abaixo-assinados para checagem ao vivo das falas em sabatinas e debates ultrapassaram milhões de assinaturas. As emissoras, por enquanto, não adotaram a medida, mas jornalistas, pesquisadores e instituições se organizaram para oferecer o serviço gratuitamente em tempo real.
Ao mesmo tempo que há uma grande movimentação de forças - e dinheiro - para corroer a democracia no Brasil, há uma mobilização maior ainda de toda a sociedade. Nas ruas, nas organizações e associações independentes, nos movimentos sociais, em setores da mídia e do empresariado, o que vemos é uma frente democrática em defesa da soberania do país.
Lados diferentes e historicamente opostos no debate democrático de ideias e políticas tem se levantado e alertado para o perigo que enfrentamos. Importantes lideranças da direita e até mesmo ex-aliados de Bolsonaro se juntaram ao coro, como é possível checar no site https://direitacontrabolsonaro.vercel.app/ que reúne declarações, entrevistas e depoimentos de algumas dessas figuras.
O Brasil não pode ser entregue nas mãos de quem investe em mentiras e censura para enganar o povo e governar contra os interesses da nação. É preciso se mobilizar, proteger a democracia e se livrar das sabotagens dos poderosos que querem saquear esse país.







